Cheia de vida: a história real de superação da Vivi




Vivian Labanca – Vivi para os amigos – poderia ser você. Ela tem 31 belos anos de vida, é carioca, formada em duas faculdades, é vaidosa, divertida e muito dedicada a tudo que faz.

Vivi poderia ser você. Mas será que você saberia lidar com tudo que ela precisou passar nesses últimos 1 ano e 4 meses? Olha, não sei você, mas eu não teria nem metade da alegria e fé que essa garota incrível teve para enfrentar essa fase difícil. E esse é só o começo dessa história. Vem comigo que eu te conto!

Era um dia comum da sua vida, um 26 de agosto de um domingo de alegria. Ela foi se divertir com alguns amigos em um show. Bebeu um pouquinho, nada demais. E, depois do evento, voltou pra casa para descansar, já que segunda-feira já seria dia de trabalho e estudo. Mas algo não ia bem... ela sentia uma dor de cabeça mais forte do que o normal, e resolveu tomar um analgésico. O remédio não fez efeito, e ela sentiu que algo tinha se rompido em sua cabeça. Tudo girou, ela não tinha forças para se levantar, não conseguia mais enxergar bem para ligar para sua mãe (que estava no quarto ao lado) e, com muito esforço, conseguiu abrir a porta e gritar por ajuda. Sua mãe e padrasto a levaram ao hospital depressa, pois a situação parecia bem grave. E depois disso ela não lembra de mais nada.

Vivi estava cursando sua segunda faculdade, Secretariado Executivo Trilíngue, trabalhando em um escritório de advocacia e também fazia curso de inglês e auto escola. Sim, ela se esforçava bastante para conquistar seus sonhos. Ufa! Era muita correria.

Ao chegar ao hospital, o médico fez algumas perguntas a ela, mas as respostas eram confusas. Então Vivi foi encaminhada para fazer o exame de tomografia. É incrível como uma coisa tão pequenina como uma veia, quando se rompe, pode causar tantos transtornos! Ela sofreu um AVC hemorrágico (Acidente Vascular Cerebral), causado pela malformação arteriovenosa no cerebelo. 

Ao acordar, Vivi sentiu como se tivesse apenas dormido por um dia, mas já havia se passado 15 deles. Para se alimentar, ela dependia de sondas. Para respirar melhor, ela precisou sofrer uma traqueostomia. Fora outras sondas a mais. E nisso se passaram 1 mês e 20 dias. Após a CTI, ela foi para a semi-intensiva e de lá, para o quarto. Fez alguns procedimentos cirúrgicos simples, visitou novamente a CTI e, finalmente, no dia 16 de outubro, recebeu alta.

Eu já falei o quanto ela é vaidosa? Qualquer lugar que ela ia, fazia questão de estar sempre bem vestida. Nas micaretas, customizava os abadás com fitinhas coloridas e lantejoulas. Eu ficava me perguntando o quanto de paciência era necessário eu ter para ser tão vaidosa quanto ela!

 Acho que não tem lugar melhor que o nosso lar, concordam? Ele acolhe, protege e nos transmite paz. Assim Vivi voltou para o seu. Um cartaz, um bolo e o amor da sua família a aguardavam. O bolo ela não pode comer, mas eu imagino a alegria de saber que sua vida, de algum jeito, estava lá. Estava pronta para ser vivida. E, como sua mãe tem uma das pernas amputadas, e não teria condições de cuidar plenamente dela, Vivi foi morar com sua avó (preciso dizer que talvez a avó mais incrível de todas as avós do mundo).

No início, ela era tratada em casa, com fonoaudiologia e fisioterapia, porque seu pé esquerdo não tinha forças para encostar no chão. Na rua, ela só andava em cadeira de rodas. Sua fala ficou um pouco arrastada e seu equilíbrio e movimentos finos (como escrever, pôr um brinco...) ficaram comprometidos. A recuperação tem sido um grande desafio, mas ela é forte. E, olha que maravilha, hoje ela já anda, às vezes até sozinha, de bengala na rua. Mexe sua mão esquerda bem melhor. Toma banho em pé. Consegue cozinhar algumas coisas e se servir. Teve alta da fonoaudiologia. Ela frequenta a ABBR (Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação) para fazer fisioterapia (nos setores de Hemiplegia, Terapia Ocupacional e Hidroterapia), pratica pilates e faz sessões de acupuntura. E o sorriso... bem, esse na verdade nunca mudou, sabe?

Acho que talvez qualquer uma de nós teria ficado muito chateada com a vida depois disso tudo acontecer. Ela é como nós. No início não foi fácil aceitar. Mas ela disse que Deus mostrou que tinha um propósito maior para sua vida. Mesmo tendo dias que ela não quer nem tomar banho ou sair da cama, ela consegue superar. E adivinhem quem a incentiva muito: sua super vovó!

Eu soube que ela tinha passado por um momento difícil pelos comentários no Facebook, porque fazia muito tempo que não nos víamos pessoalmente. A vida às vezes afasta as pessoas de nós, pela correria. Quer uma dica? Não deixe que ela faça isso, jamais! Amigos são para toda a vida e além. E, assim que pude, fui visitá-la. Acho que eu jamais vou esquecer desse dia. Era uma benção ver Vivi. Era extremamente especial vê-la bem! Feliz! E lutando. Eu fui visitá-la, mas quem ganhou fui eu. Um presente (o Livro Kairós, que sua mãe carinhosamente me deu) e um ensinamento: a vida é curta, aproveite. Em casa, chorei. E me prometi nunca mais reclamar dos pequenos problemas. Eu até reclamo, mas talvez menos. Foi um dia muito especial mesmo.

“Antes, vivia na correria, como a maioria das pessoas. Agora, dou muito mais valor à minha vida. Decidi parar de ingerir bebidas alcóolicas. Comecei a me alimentar saudavelmente. Dou muito mais valor aos detalhes do dia a dia, como ver um dia ensolarado, o mar, o arco-íris, flores e pássaros. Presto mais atenção se tem alguém precisando de ajuda na rua. Me tornei mais humana”, disse Vivi.

Eu contei para vocês? Vivi também é formada em Jornalismo! E, claro, usou seus dons da comunicação para beneficiar outras pessoas que tenham passado ou ainda passam por problemas parecidos com o que ela enfrentou. Ela criou um perfil no Instagram e no Facebook, com o objetivo de partilhar suas vitórias e conquistas após o AVC. “Decidi fazer isso após ver na fisioterapia, pessoas que também tiveram o mesmo problema que eu, com mais sequelas ainda, e mesmo assim muito felizes. Senti vergonha de mim, do meu ego, do meu ‘querer estar normal’ logo, enquanto essas pessoas não conseguiam nem sair da cadeira de rodas. Decidi publicar a minha evolução para motivar essas pessoas e seus familiares”, ela explicou.

Para o futuro, Vivi deseja ter mais independência, andar sem a ajuda da bengala, voltar a trabalhar e terminar as aulas de direção. Além, é claaaaaaro, de conhecer o amor da sua vida para formar sua família e ter saúde plena, principalmente. Olha, eu acho que essa menina vai longe! E ela deixou uma mensagem muito especial para quem está passando por problemas que nem o dela: “Nunca desistir de seguir em frente. Se o corpo tremer ou doer, ter paciência para tentar novamente. Sempre vale a pena tentar mais uma vez! Ter fé. Deus sabe de todas as coisas. Confiar Nele é preciso”.

Esse é um texto diferente. Ele fala sobre algo muito além da dor e da superação. Fala sobre esperar. Fala sobre valorizar cada momento e as pequenas coisas da vida. Sobre entender que nem sempre podemos ter as coisas do jeito que sonhamos, mas podemos transformar qualquer situação em algo melhor do que parece ser. Que a vida passa rápido. Que nem sempre as pessoas vão continuar do seu lado nesses momentos, mas tudo bem, porque elas ainda não estão preparadas para a dor. Sobre a importância da família e dos amigos. E sobre seus amigos, aqui embaixo, vou deixar alguns trechinhos de amor. Existem muito mais pessoas que desejam te ver brilhar. Essa é só uma pequena amostra do quanto você é especial e muito querida. Obrigada pela sua história. Obrigada por nos ensinar. Continue sendo o que o significado do seu nome quer dizer: Cheia de vida!

“Já escrevi seis textos e deletei...nada que pudesse escrever pra você, Vivi, seria realmente legal e especial...me falta tudo neste momento...só me vem você na mente e no coração.  Você vai além da minha capacidade de escrever ou de dizer.... você é linda...te respeito, te admiro... É uma alegria ser querida por ti. Você é vida!” Marta Maia

"Eterna Vizinha, uma menina tão alegre, animada, companheira de diversão, uma guerreira, mesmo passando por dificuldades quanto à saúde, não perdeu a alegria, o carisma e o carinho. Viva a Vivi! Te Adoro!" Rodrigo Figueiredo

"Eu sempre digo a ela e mesmo sabendo disso, toda vez que a vejo repito: "Eu te admiro". Pela paciência consigo mesma. Acho que todo mundo que tem a experiência de conhecer ela um pouquinho pensa "sou idiota", rsrs, porque percebemos que reclamamos e perdemos a paciência demais por pouco sempre, e você acaba aprendendo ou querendo aprender ter aquela serenidade. Eu sei amiga que você não é Buda (Deus te livre das gordurinhas extras né?), mas você tá no caminho de luz certo!" Viviane Pacheco

"Vivi, você é uma guerreira, um exemplo de superação e a cada dia que passa sua vitória será maior ainda. Que você nunca duvide da força que tem! Você é uma vencedora! Te adoro!” Fabiana Figueiredo


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