Espaço do leitor: Meus oito banhos!


Oh, que saudades que tenho
Daquelas tardes chuvosas
Do frio, das meias e casacos queridos
Que esse verão xexelento não me deixa desfrutar.
Que friaca, que bênçãos, que sonhos
No aconchego do quarto gelado
debaixo de dois edredons.
Como são belos os dias
Que amanhecem cinzentos
Com pocinhas de água de chuva
E nevoeiros de amedrontar.
Que calor, que sol, que vida
Que noites mal dormidas
Com o ventilador nosso de cada dia
e oito banhos sem me secar!
Do céu, uma enxurrada de maçaricos
Na terra, um futum de suor de amargar...
As ondas beijando a areia
E eu suando gotas pra fazer um mar!
Oh, dias de intensa friaca
Oh, meu céu de inverno
Que doce a vida não era
sem esse calor de lascar...
Em vez das mágoas de agora
Eu tinha nessas delícias
Três pares de meias, chá quentinho a qualquer hora
E cobertas e mais cobertas pra me aninhar!
Livre filha das montanhas...
Me sinto assim!
Pés descalços, braços nus...
Correndo, final de semana, pra cachoeira ou pro mar!
Tenho rezado minhas Ave Marias 
Pra que chova um dia inteiro sem cessar
Pra dar conta dos reservatórios
E água não faltar!
Oh, que saudades que tenho 
De pronunciar "Que frio do c@r@lho"
De usar minhas três meias quentinhas
No aconchego do quarto gelado, debaixo de dois edredons!

Amanda Casimiro de Abreu

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