Das bagagens que o outro traz



Aprendi, ao longo da vida, que as pessoas não são iguais a um carro zero. Elas podem até ser novas e bonitas, mas jamais virão sem ao menos uma história no bagageiro.

Não adianta. Seu namorado terá, ao menos, uma ex. Pode ter sido até rolos apenas, mas eles existiram antes de você. Sua namorada já apresentou alguma vez um cara para os amigos ou para a família dela.

Cada experiência que trazemos do passado, nos constrói. Aquela ex pode ter ensinado coisas boas ao seu companheiro. Mas ela também pode ter destruído o sonho dele de existir o amor verdadeiro. E aí, ele não vai conseguir se entregar por completo, tão facilmente, de novo.

Ou seja: somos responsáveis pela forma com que as pessoas que passaram por nossas vidas decidem agir depois de nós. Somos sim. Aquela velha frase que diz “somos diretamente responsáveis pelo que cativamos” é verdadeira, acreditem!

Não foi sua culpa o último cara que aquela mulher incrível que você conheceu final de semana passado ter quebrado o coração dela. Você não estava lá. Não a magoou ou deixou de salvá-la dele. Mas terá que lidar com o fato de que ela vai dizer muitos “nãos” antes de aceitar um convite para o cinema. E não é desinteresse. É medo mesmo. Às vezes é necessário apenas um cinema para começar uma longa história de desilusões.

E, diante desse fato, como agir? Porque aquele homem que adorar gritar para o mundo que ama ser solteiro, muitas vezes tem é medo de se ferir. Ele não sabe ser de alguém. E você desiste dele, porque quer um parceiro para a vida toda.

Eu, por exemplo, já desisti uma porção de vezes de caras assim. “Ah, desculpa, estamos indo rápido demais”. Bastava essa frase, e eu já estava pulando fora. Do tipo que nem deixava ele mais no Facebook. Excluía logo. Não queria cair em tentação. Não com esse tipo de homem.

E foi assim que desisti de ser feliz algumas vezes. Porque percebi que esses mesmos caras, um tempo depois, aceitaram alguém em suas vidas. O problema era eu? Talvez. Mas tenho certeza que em boa parte dos casos, eles só estavam assustados demais para dizer “sim”.

A verdade é que, tirando situações de falta de caráter e de afinidade, seria muito mais gentil da nossa parte esperar um pouco mais. Nem toda semente desenvolve rápido. Algumas precisam ser regadas mais vezes. Ou levar mais um pouquinho de sol. Ou de mais força para romper a terra e virar uma linda planta. Saiba esperar.

Amor à primeira vista pode existir. Mas, para mim, os amores mais lindos são os que acontecem todos os dias, um pouco de cada vez. A cada novo olhar. A cada novo passeio juntos. A cada discussão. A cada noite inesquecível. E é a partir daí que aceitamos mostrar nossa vulnerabilidade para o outro. Sem medo. Sem recusa. Aceitamos amar. E nosso passado se torna apenas algo que vamos guardar numa caixinha, em baixo da cama, para visitar de vez em quando, sempre que for preciso. E, de todo o coração, eu espero que bem poucas vezes.

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