Eu não consigo escrever

 
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Posso desabafar? Estou vivendo o maior bloqueio que já tive em todos os anos desde que comecei a escrever. Já passei por isso diversas vezes, achava natural, sempre encontrava uma maneira de encontrar a inspiração de volta e quando menos esperava já estava vomitando palavras por aí. Me fala qual escritor nunca viveu seus momentos de bloqueio, né? Mas agora é diferente. O bloqueio veio com tudo, simplesmente não sai, sabe? Nem se espremer feito laranja sai alguma coisa. Já conversei com várias pessoas, desabafei com amiga, ouvi e segui os conselhos. Assisti filme, comédia romântica, musical que me fez chorar do início ao fim, ouvi músicas, saí para espairecer a mente, me diverti, viajei para o interior tentando encontrar a chama que se apagou. Não resolveu. Não resolveu nada e só fiquei mais chateada ainda. 

Há dois dias atrás eu sentei determinada a só levantar da cadeira quando conseguisse escrever um texto, mas não podia ser qualquer um, tinha que ser dos bons. Os meus leitores merecem textos com conteúdo e que acima de tudo superem as expectativas de cada um. Fiz um café forte, arrumei o quarto e também todos aqueles rituais que a gente faz quando quer adiar alguma coisa. Sentei e olhei para a folha em branco milhares de vezes. Corri para o YouTube a procura de alguma música que ajudasse no processo. Não achei nenhuma. Ed Sheeran não me confortou, Sam Hunt não esmagou meu coração e nem os romances da Taylor me fizeram escrever alguma coisa. E sabe o que eu fiz? Chorei. Só consegui chorar no meio dessa mistura e troca de músicas e absolutamente nada saiu. Briguei com a minha mãe porque ela chegou bem na hora que sentei na cadeira, não ouvi o que ela tinha para dizer e fiquei sem saber. O café acabou e esfriou antes que eu escrevesse a primeira linha.

Escrever sempre foi meu momento de paz e pela primeira vez não era isso que eu sentia. Escrever é remexer em toda bagunça que eu não quero arrumar, que eu não estou a fim de pensar sobre. É revirar sentimentos, reviver histórias do passado, sonhar com novas e imaginar que um dia eu realmente posso vivê-las. É sofrer por não conseguir dizer tudo que está agarrado aqui por vinte e um anos, é chorar por não conseguir colocar pra fora, por não dizer verdades que muita gente precisa ouvir, é sofrer pela carga depositada, expectativas não respondidas e sonhos acabados. Sonhos que eu tive que parar de sonhar porque não dependiam só de mim e decidi parar de desejá-los para evitar maiores sofrimentos. 

Eu olho para a minha vida agora e vejo que não estou vivendo nem a metade do que eu desejei há cinco anos atrás. Amo minha faculdade, me apaixonei de novo pelo meu curso, estou fazendo uma matéria incrível, mas ainda falta alguma coisa. Eu ainda me sinto presa e não é por falta de tentar. Eu juro que fiz tudo até que não estava ao meu alcance, mas como eu disse, não depende só de mim. Esse instinto de ser livre ainda vai me levar até mim. Eu sei que vai.

Mas agora eu não consigo organizar as ideias. É como se elas não viessem mais até mim e eu preciso ficar vasculhando cada canto da minha mente a procura e não as encontrasse mais. E se eu não quero organizar nada? E se eu não quero remexer nessa bagunça que eu guardei a sete chaves no peito? E se eu quiser ficar imune a tanto sentimento reprimido? Não quero pensar sobre eles, nada vai mudar, não quero sentir certas coisas novamente, não quero sofrer. Posso deixar tudo guardado aqui? Posso só esperar meu momento chegar?

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3 comentários

  1. "Escrever é remexer em toda bagunça que eu não quero arrumar, que eu não estou a fim de pensar sobre. É revirar sentimentos, reviver histórias do passado, sonhar com novas e imaginar que um dia eu realmente posso vivê-las."

    Mari linda, eu passei por isso no segundo semestre do ano passado. Lembro que surtava por não conseguir escrever nada, principalmente pra faculdade. Tive que relaxar, viver dias diferentes, fazer terapia, etc pro meu coração e alma voltarem ao normal, ai consegui escrever.
    Hoje, por exemplo, estou com bloqueio, mas sei que logo passa.
    Se aprume querida!


    Beijo

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  2. Oi Mari,
    acabei de conhecer o seu mundinho no Blogs que Interagem e fiquei muito contente em me deparar com tanta boa escrita, bons pensamentos e uma boa perspectiva de si e do mundo. Olha, bloqueios são bastante recorrentes, especialmente para quem tem escrivite aguda, que só passa escrevendo. É doloroso, deixa-nos impacientes e faz com que pensemos que estamos 'perdendo tempo'. Mas deixa eu te falar uma coisa, olha só para esse texto de desabafo! Ele é claro, bem escrito e tem todos os pensamentos que passaram pela sua mente naquele determinado momento.
    Não desanime. Nao se deixe levar. As palavras foram feitas pra gente entrar nelas e imaginarmos o mundo como quisermos. Espera até você encontrar um mundo novo pra explorar. Enquanto isso, explore o seu próprio medo e sem medo de se perder nele.
    Abs

    http://mesadecafedamanha.blogspot.com

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  3. Oi, Mari! Adorei ler o seu #desabafo. Há um ano tive o mesmo bloqueio e fiquei por meses assim. É muito difícil, mas agora estou melhor e conseguindo libertar meus pensamentos. Tô adorando seu blog.
    Beijos, Thamara
    www.janelasviajantes.com

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