Se o fim do mundo fosse amanhã



 

O fim do mundo é amanhã, na verdade é hoje porque já se passaram da meia noite. O fim está mais próximo do que todos desejaram, pelo menos é o que estão dizendo nos rádios, na internet e o jornal não sabe falar de outra coisa. Algumas pessoas não estão acreditando, afinal, esse fim já foi previsto tantas outras vezes que já decretaram não cair mais nessa armadilha sensacionalista. E o que eu acho sobre isso tudo? Bom, não sei, sério. 

E se for mesmo o fim de tudo? E se, por ventura, Deus queira mesmo acabar de uma vez por todas com o mundo hoje? E se tem um meteoro gigantesco chegando na Terra, mas nenhuma autoridade quis revelar a verdade, apenas nos disseram que é fim? E se é outra vez mais uma mentira premeditada por alguém considerado louco pelos em sã consciência? E se? E se? Tantos e se’s nos rodearam por toda vida e não podia ser diferente no fim. 

Eu confesso que não sei bem no que acreditar, há tantas hipóteses, sabe? Sempre fui muito pensante e duvidei de muitas coisas, para não falar tudo. Se hoje é o fim do mundo por que eu não me sinto completa? Por que eu sinto como se estivesse faltando uma parte gigante dentro de mim? Acho que não preciso de muito para me auto responder todas essas interrogações. 

A verdade é que eu não vivi a vida que eu sempre sonhei. Eu não subi o Pico da Bandeira, muito menos cheguei perto Kilimanjaro. Não pisei nem fora do meu estado. Vivi uma vida pacata, acreditando que tudo que eu precisava era de sossego. Apenas uma tranquilidade que pudesse me deixar estável e longe de maiores confusões. Pelo fato de nunca gostar de brigar, não enfrentei ninguém, não bati de frente e se quer fui atrás dos meus sonhos. Adotei uma filosofia de vida que hoje eu enxergo mais como uma zona de conforto, aquela que eu nunca permiti sair. 

Não morei em Londres, não corri pelo Central Park, não provei margueritas e deixei um grande amor escapulir pelos dedos. Ouvi mais do que falei, dormi mais do que lutei. Refletindo todos esses anos, não fiz o que queria ter feito. Eu sei que eu deveria ter ido atrás, corrido ao encontro dos meus desejos para poder estar em paz hoje, mas não, eu apenas aceitei a condição de viver pacatamente. Hoje vejo que esse sim foi o meu maior erro. Afinal, oportunidades batiam nas portas e janelas quase implorando para que eu abrisse, mas o medo de deixar entrar sempre falou mais alto. Sempre me considerei medrosa, mas não é esse medo de assombrações, rato e barata. É medo da vida. Medo de apanhar dela e não resistir. Medo de ser realmente feliz. Feliz de verdade.   

Hoje me arrependo, sabia? Podia ter deixado bater, eu sei que aprenderia a sacudir a poeira e conseguiria me reerguer. Podia ter aberto a porta do coração e dito para os quatro cantos do mundo que eu o amo e que ele é o amor da minha vida. Podia ter ido atrás quando ele fechou a porta na minha cara. Podia ter pego o primeiro avião apenas com o pouco dinheiro que tinha conta só para ver o mundo lá de cima. Tantas coisas que eu deveria ter feito... Tantas coisas que eu faria se não fosse o medo de tentar... 


 Post para o Projeto Literário. 

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5 comentários

  1. Eu fico besta em como você escreve tão bem, Mari! Eu bem que queria escrever assim, hihi. É quase uma agonia espremer meus neurônios pra sair um textinho que seja, hahaha. Mas vejo que pra você é tão simples como respirar.
    Parabéns! ♥

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    1. Ah, para, né? Você escreve tanto texto lindo pro blog que eu fico morrendo de amores! <3 Sem falar nas ilustrações maravilhosas que só você faz! Amo te ter por aqui.

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  2. " Pelo fato de nunca gostar de brigar, não enfrentei ninguém, não bati de frente e se quer fui atrás dos meus sonhos. Adotei uma filosofia de vida que hoje eu enxergo mais como uma zona de conforto, aquela que eu nunca permiti sair. "

    Eita! Que tapa!
    Falando em tapa, o mundo não acabou, então dê a cara pra bater sim, arrisque mais, ouse mais, viva mais.

    Lindo texto Mari!

    Beijo

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