Achei que ela fosse eu

 
[Leia ouvindo: Break up in a small town - Sam Hunt]


A gente não se fala mais. A nossa história não foi tão longa quanto eu queria e sinceramente, não sei se posso chamar de história. Elas geralmente tem um começo, meio e fim e o nosso fim, meu bem já havia acontecido antes mesmo de começar. Eu não sei se você sabia que eu olhava para você entre um encontro e outro e eu deixava meus olhos descansando nos seus enquanto você se distraia com outra. 

Mesmo sabendo do seu tipo conquistador, eu até pensei que poderíamos ter algo. Até imaginei algumas vezes antes de dormir nós dois juntos numa estrada de chão rumo à uma nova praia, vivendo uma dessas aventuras que você gosta de contar. Mas você deixou bem claro que gosta só de conhecer novas pessoas e que amizades são sempre bem vindas. Nunca teve relacionamentos e ainda não era hora. E mesmo assim eu tentei entender. Tentei porque sempre tinha aquela vontade de ter mais um pouco do mínimo que já era dado. O meu desejo de saber o que tem por trás daqueles olhos ainda não tinha acabado. Eu não queria roubar sua liberdade, nem destruir sua sexta-feira. Não mudaria suas ideias, só queria roubar um pouco do seu tempo.

Perdi as contas de quantas vezes eu esperei você vir falar comigo e quando não o fez eu resolvi ser uma mulher de atitude. Agora eu começo a acreditar que nunca teremos nada, até aceito a ideia de que não serei eu que estarei nos seus braços e que continuaremos na estaca zero de onde ninguém sai. É nessa hora que você volta. Volta com aquele sorriso inteiro que mostra todos os dentes perfeitamente alinhados. Volta e me abraça, beija o topo da minha cabeça e enfatiza o tempo que ficamos sem nos ver. Manda uma mensagem no dia seguinte e se despede com grande quantidade de emojis.

A verdade é que ele não consegue ver que eu tentei seguir em frente sem ele. Que eu não sou como as outras, insistindo por algo a mais. Que eu aceitei a ideia de que nunca teremos nada, nada além de uma troca de olhares e alguns abraços perdidos. Deixa ele descobrir mais quantas precisa conhecer para decidir ao final quem será a felizarda, como se fosse o grande prêmio, sempre querendo ter certeza se não tem algo melhor por aí. 

E no meio de suas andanças e encontros, quando ele decidir eu já vou estar longe o suficiente para ter perdido a vontade de descobrir o que tem por trás daqueles olhos. Sendo aquela mesma mulher de atitude que foi atrás de você, hoje não vou mais. Deixa essa função para outro alguém. O meu alguém tá por aí me desejando também. Afinal, foi você que me ensinou: sempre tem algo melhor em algum lugar. E eu vou achar.

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1 comentários

  1. Que texto! Uau...
    Vivi uma história exatamente assim há três anos. Nunca teve fim porque sequer começou de verdade. Parece que "histórias" assim são as que mais marcam, não é?

    Juro de Mindinho

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