Sobre aquele adeus


Você era tudo que nunca fui. Meio estranho eu ter gostado de você. Daqueles caras que o pai não gosta e a mãe reza pra filha não conhecer. Mas eu conheci. E aceitei sair naquele dia que algo me dizia "fica em casa", mas eu me atrevi. Você veio com promessas de uma noite apenas. Depois uma semana. E foi ficando... Aquela sua viagem foi cancelada. O frio na barriga. E agora? "Agora, meu bem, vamos embarcar nessa aventura", disse meu coração meio sorrindo, meio com medo.

Embarquei. Mesmo sabendo das suas loucuras, de algumas posturas, mas tudo bem. Esse seu jeito de conquistar o mundo nunca acharia em ninguém. E fui descobrindo, lentamente, que as aparências enganam. Que suas rimas davam lugar também a flores. Que seu coração tinha espaço pra dois. E pra mim isso era estranho, essa coisa de estar com alguém, eu que estava sozinha a tanto tempo. Agora era sua.

Mas aí... Aí eu fui sendo sua demais. Não me leve a mal, mas é que eu preciso um pouco de mim às vezes. Você queria tudo. Queria um futuro. E eu preocupada em viver o agora. Da melhor forma. Ser feliz no tempo presente. E assim ir construindo... Meu passado você condenava. Me achou errada. Acreditou muitas vezes que eu era menos. Que eu amava menos. Que eu "só fazia merda". Você lembra do dia que me disse isso? Você repetiu umas três ou quatro vezes. Foram só palavras. Mas estão gravadas.

Vim aqui dizer, onde quer que você esteja, que meu maior erro foi apenas deixar você ter a chave da minha vida. Porque ela, veja bem, deveria ser somente minha. Nunca mais me atrevo a ser menos para que você se sinta mais. E aprende comigo uma coisa: quem diz que vai, vai. E eu fui. Eu te amei. Do jeito mais bonito e sincero que eu pude. Os apelidos que te dei, nunca foram de mais ninguém. E seu ursinho ainda está guardado. Mas dói ver que você trata igual outro alguém e que promete - exatamente -  as mesmas coisas, os mesmos sonhos. Descobri que me despedacei com nosso fim à toa. Porque nunca foi sobre você me amar. Foi sobre você não querer estar só.

Mas eu ainda guardo o seu ursinho. E deixei uma foto nossa no Facebook. Só para me fazer lembrar que as aparências enganam, mas eu ainda te acho o cara errado que pode dar certo. E você vai dar certo. E eu te desculpo por tudo e te peço também um punhado de desculpas pela falta de paciência. É que eu sou assim, preciso muito de mim. Você era tudo que eu nunca fui, mas nem tanto. Esse seu jeito que esconde o medo, eu entendo muito. Relaxa, tá todo mundo meio perdido. E quando tocar aquela música que repetia sempre no seu pendrive, eu te pedirei licença pra lembrar de você. "Estava escrito". E eu sei que sim.

"Minha mente e minha loucura foi o que fez cê querer vir
E essa mesma loucura, que fez tu querer partir
Melhor mesmo tu ir agora, antes que eu seja rude
Até mais minha pequena, ainda tá escrito maktub".

Mais sobre mim: RP Mídias Sociais

Você pode gostar também

1 comentários

  1. Lindoooo! Um delícia de leitura..obrigada por este texo. Parabéns!

    ResponderExcluir

Deixe sua opinião! Amamos entrar em contato com vocês.