Ainda existe amor

 
As pessoas estão tentando. Notei isso uns dias atrás, era dia dos namorados e apesar de ser um dia mágico, não vou negar que tudo estava um caos, o trânsito, as lojas, os restaurantes, tudo estava lotado por casais. Fomos jantar em um restaurante perto da minha casa e depois de ficar uns 45 minutos esperando para enfim liberar uma mesa, nós conseguimos entrar. Até então, eu estava irritada com a demora, as filas, a espera, mas depois de degustar uns petiscos e muito provavelmente o mau humor de estar com fome ter passado, eu já estava mais tranquila e comecei a observar o clima ao meu redor, parei alguns minutos e notei que tudo estava lotado, lotado de pessoas que estavam tentando dar certo, tentando expressar seu amor de alguma forma e talvez recebe-lo de volta.

Pude perceber que ainda há pessoas que tentam dar certo, que querem estar junto com alguém, que preferem a companhia de uma única pessoa. O casal a minha direita estava mais entretido com o celular e perdia a chance de aproveitar a companhia um do outro. O casal a minha frente mal tocou na comida, estavam trocando beijos e olhares o tempo todo. A minha esquerda estava um casal de uns cinquenta e poucos anos, provavelmente tinham deixado os filhos em casa e saído. Riam com uma expressão de gratidão por uma vida que foi bem vivida ao lado um do outro. 

Havia todo tipo de casal, idade, gênero, estilo, mas, sobretudo, todos ali tinham algo em comum, estavam tentando dar certo. Numa época em que o desapego é gritado e amar é muitas vezes considerado pecado, ainda tem uma parcela de pessoas que acreditam que vale a pena amar, que vale a pena estar num relacionamento, que vale a pena dar o melhor de si, e de alguma forma, ali eu percebi que elas estão dando o melhor de si, o melhor que podem no momento, talvez. Apesar de ter alguns reclamões que preferem dizer  “é só mais uma data criada pelo capitalismo” ou “eu acabo com esse amor todo com alguns prints”, apesar de ter, infelizmente uma maioria, que foi vencida pelo cansaço, que não acredita que ainda existe amor, que ainda vale a pena estar com alguém que faz nosso coração bater mais forte, que vale a pena deixar de ser um para ser dois; apesar de existir uma maioria que grita liberdade e acredita que isso é meio brega e exagerado demais, ainda há uma minoria que sabe que é bom sonhar junto, que sabe a delícia de viver a liberdade de morar no peito de alguém, de andar de mãos dadas e escolher um filme para ver no cinema numa sexta chuvosa, ainda há, por sorte, uma minoria, que lotou o restaurante naquela noite.

Não sei ao certo as intenções de todos, as histórias, as decepções e nem os planos para o futuro.  O que eu sei é que enquanto estava distraída pensando nisso tudo meu noivo foi ao banheiro e voltou com uma rosa na mão, me entregou junto com um sorriso singelo, e eu entendi que essa é a forma dele fazer dar certo. Veja bem, ele nunca foi muito com as palavras, eu sou a tagarela da relação, ele gosta é de gestos e esse gesto me fez entender que ainda há pessoas tentando darem certo, que ainda há alguém por aí que acredita que vale a pena lutar por amor, que seguir o caminho ao lado de alguém que te ame torna a estrada mais curta, mais divertida, mais segura.

Eu notei que, apesar dos meus desastres amorosos, dos meus antigos relacionamentos terem me deixado em pedaços algumas vezes, eu também não desisti, eu colei os pedaços um a um e segui. Não precisa ficar parado esperando o amor de a sua vida bater na sua porta, não precisa parar de viver esperando alguém, mas também não precisa criar uma armadura que impede que ele chegue até você. Não precisa julgar o amor alheio e perder a fé que um dia, de algum jeito, talvez quando você menos queira ou espera, chegará. E um dia por coincidência, você estará num restaurante, no dia dos namorados, ganhando uma rosa, rindo por perceber que se tornou uma boba apaixonada e amada, e finalmente valeu a pena ter um pouquinho de fé no amor.

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