As borboletas no estômago, será que elas voltam? - PARTE 1

 

Tenho que ser sincera e admitir que é bem complicado você acordar em uma manhã de sol, onde normalmente você já tinha um roteiro traçado – com ele – do que iriam fazer durante o dia e lembrar que na noite anterior ele (que fique bem claro) tinha decidido colocar um ponto final em tudo. Você até tenta piscar os olhos mais algumas vezes, se espreguiçar e tentar despertar bem pra ver se tudo isso não passa de um sonho... Mas aí você percebe que é isso mesmo e que já é hora de se levantar. 

É difícil descrever certinho o que se passa na cabeça e no coração. “Onde estão todas aquelas borboletas no meu estômago?” – você pensa – “Por que de uma hora para a outra elas decidiram ir embora?”. Tudo bem, as coisas não estavam caminhando da maneira certa. Já estávamos brigando demais, mas será que ele não poderia ter sido um pouquinho mais paciente? Eu prometi que iria mudar, só que dessa vez ele não concordou. 

Sempre escutei de amigos e conhecidos que quando um namoro entra no vício do iô-iô – vai e volta – é hora de parar. Nunca imaginei que isso iria acontecer comigo e muito menos percebi quando estava passando por isso. É bem como dizem: O AMOR É CEGO! Não só no sentido de você não conseguir ver as imperfeições das pessoas, você começa a se esquecer, a se anular para levar adiante certos relacionamentos que, na verdade, não estão te fazendo bem. E vocês acham que eu percebi logo de cara? CLARO que não! 

Para vocês entenderem melhor o que estou falando vou voltar/resumir um pouquinho da história.
Conheci – aquele que não se deve ser nomeado (adoro Harry Potter )  – no final do meu ensino médio. Eu tinha acabado de sair do meu primeiro namoro “sério”. Ele chegou com seus olhos verdes, sorridente, engraçado e me oferecendo carinho. 

Burra eu, me apaixonei! 

Quanto cai na real já estava com ele a 6 meses e precisava trazer ele em casa para que meus pais pudessem aprovar o namoro. Namoramos exatos 2 anos e 10 meses. Um namoro pra lá de complicado. 

Por favor, só não venham vocês com aquela frase clichê: “Não cuspa no prato que comeu” porque cada um sabe as alegrias e tristezas que vivem. Por que era tão complicado? Pensávamos totalmente diferente. Eu queria “A” ele queria “Y”, eu era de humanas e ele de exatas, eu gostava dele e meu pai não, eu queria casar e ele queria comprar uma bicicleta, eu era responsável e ele não tinha um parafuso, eu era dele e ele dos amigos! Por sermos tão diferentes, as brigas eram uma constante em nossas vidas. 

Essa história de terminar já tinha acontecido inúmeras vezes, eu sempre me sentia culpada, sempre me sentia a má namorada porque implicava, cobrava, não concordava, tinha ciúmes e por ai vai. Por ser assim já tinha criado implicância e inimizades com alguns dos amigos dele, mas não achava certo ficar em casa e ele por aí, não achava certo ser a ultima a ser lembrada, não achava certo ele passar a noite fora e defender que isso era normal. Não achava certo ter que ir no cinema sozinha porque o “amigo” dele ia dormir na casa dele, não achava certo ser criticada por ele, ou melhor por eles. 

Com toda certeza a minha implicância tinha motivos, motivos esses que somente eu entendia. Para evitar brigas e para evitar a possibilidade de terminarmos (achava que nunca iria encontrar outra pessoa – besteira -) comecei a me anular, a concordar e dar carta livre para as coisas que ele queria. E qual era minha válvula de escape? Comer! Eu estava feliz com ele: eu comia. A gente brigava: eu comia. Ele fazia algo que me desagradava: eu comia. 

Um pouco antes de terminarmos, isso já tinha tomado uma proporção tão grande que eu comia, comia, comia e comia, daí tinha vontade de ir ao banheiro e colocar tudo o que tinha comido para fora! 

A gota que faltava ocorreu no final de um dia frio de junho, ontem a noite, estávamos voltando de uma festa junina e ele – não me recordo dos detalhes – queria sair pra sei lá onde e iríamos ter que voltar para casa mais tarde que o normal. Meu pai, como não aprovava o namoro e é típico daqueles pais tradicionais e ciumentos, implicava muito comigo, não me deixava voltar muito tarde para casa e sempre foi contra meu relacionamento. 

Enfim, só sei que neguei aquilo que ele tinha me pedido gerando uma mega crise. Como já estava exausta de toda aquela situação entrei em uma crise de choro e desabafei em uma frase: “Estou cansada de você!”

Depois disso partiu dele colocar um ponto final em tudo... Então vi as borboletas começarem a esvaziar o meu estômago.


*fonte da imagem

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