Dos passos que eu dei


Hoje eu passei o dia pensando na dificuldade que seria dizer adeus a você. Não que seja um adeus na verdade, mas um até logo. E mesmo os "até logo" às vezes são desafios para mim.

Deve ser porque é mágico estar na sua presença, e ela é rara. Mas não dizem que as coisas raras são mais difíceis de obter? Eu já tenho você, mas nem sempre perto.

Às vezes eu fico pensando nos caminhos que eu percorri e se eles sendo diferentes poderiam nunca ter me levado a você. Há dez anos eu saí da minha cidade para descobrir dez anos depois, que o meu grande amor sempre esteve nela. Mas será que se eu nunca tivesse saído daqui eu teria te conhecido?

Hoje de manhã eu li um breve texto que dizia que para iniciar um caminho não precisamos saber da estrada, mas apenas caminhar. E se todos os meus passos me levaram até você, então eu só posso pensar que eu preciso continuar caminhando. Porque se até aqui a vida tem sido boa, por mais que difícil, imagina então o futuro.

Enquanto você trabalhava, eu assisti uma série na TV e nela um personagem falou que precisamos ter coragem para enfrentar nossos próprios medos. Naquele momento o meu maior medo era arrumar a minha mala: um amontoado de roupas que metade não usei porque a vida com você é tão simples que a maior parte desses dias precisei apenas de biquíni, um short, algumas blusas e um belo sorriso.

Precisava voltar amanhã e a mala tinha que ir comigo. Na verdade, o meu medo não era arrumar a mala, mas o que eu ia sentir fazendo isso. Deixar para trás alguns dias com você - que foram os melhores de muito tempo - me fazia me sentir triste, mas eu arrumei. Porque é preciso enfrentar nossos medos e, se eles são meus, então eu decidi deixar eles irem embora.

Arrumei a mala lembrando de cada segundo que eu passei ao seu lado e depois fui à varanda olhar o fim de tarde dessa cidade que deixei há dez anos, mas que me trouxe você.

Agradecer a ela por mesmo tendo a deixado para trás, ela ter sido tão gentil ao ponto de deixar você ir até mim. Prometi a ela que voltaria quantas vezes fossem preciso para rever esse meu presente e, ao fechar a mala, senti um peso maior dentro dela: lá estavam também todos os passos que me trouxeram até aqui.

Mas dentro do meu coração, senti algo mais leve. No lugar do medo, deixei entrar doses de amor e esperança. E, se até aqui a vida tem sido boa, em algum tempo, não muito distante, ela será perfeita com você do meu lado.

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2 comentários

  1. Adorei o texto, Mari! Quantas vezes na vida não questionamos se o caminho que tomamos não foi o errado simplesmente porque a vida nos apresenta certas ironias? Sair para procurar pela pessoa que estava logo ali! O medo faz parte, uma vez que vamos para o desconhecido. No entanto, não há para aonde ir. Precisamos, apenas, lidar com o medo! Ótima escrita! Bjoo

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  2. Natacha, obrigada minha flor! Com certeza! Mas na verdade, às vezes sair do lugar que estamos nos faz olharmos diferente para ele e assim enxergar o amor! Caminhar! Obrigada por ler, adorei que gostou, te esperamos nos próximos textos! <3

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