Eu sou o que escrevo


Sempre após me afogar no turbilhão de sentimentos que cabem dentro de mim, sinto uma vontade excessiva de escrever. As palavras saem como um raio, os dedos tocam o teclado com tanta empolgação que parecem também sentir necessidade de se aliviar. 

Palavras, frases, linhas, parágrafos e estrofes. Quando me dou conta já tenho um texto de pura emoção construído em poucos minutos. Meus dedos? Eles, assim como minha alma, já se sentem mais tranquilos. Tudo aquilo que estava pesando dentro de mim se tornou um vendaval que passou rapidamente deixando seu vazio e alguns vestígios. 

Agora, é hora de respirar e ler. Fico com medo, afinal pessoas que se expressam por meio da escrita sempre me assustaram. Fico com medo de conhecer quem realmente eu sou, porque eu sou o que escrevo. Aquilo que define a minha escrita é aquilo que eu guardo comigo. Não chega nem perto do “eu” que vocês estão acostumados, quando escreve consigo mostrar até meu lado mais escuro. 

Nunca existiu pudor na escrita de ninguém, posso abrir minhas asas e voar em torno dos sentimentos que muitas vezes opto em deixa-los guardados. Antes achava que isso me tornava uma pessoa ruim, pensei até na possibilidade de estar sendo falsa comigo mesma. Com o tempo percebi que ao invés de ser má com as pessoas eu optava canalizar todos esses sentimentos escrevendo, afinal eu sou o que escrevo. 

Leio e releio a minha produção e chego à conclusão de que aquilo sou eu! 

Salvo o arquivo naquela pasta escondida no meio de tantos outros arquivos, só mais um texto para a coleção. Desligo meu computador, respiro fundo e me levanto porque é hora de continuar. Não que isso seja o “adeus” aos problemas, mas digamos que um “até logo” porque sei que daqui um tempo estarei de volta em frente a esse computador derramando aquilo que me transborda: sentimento. Afinal eu sou o que escrevo. 

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