Carta à alguém de um passado bom


Que tal ler ouvindo "Lost stars - Adam Levine"?

Achei uma foto nossa. Uma foto daquela viagem que fizemos para a casa da família do seu padrasto na praia. Uma linda foto de uma linda viagem. Lembro como se fosse hoje de você mergulhando para me trazer uma estrela do mar, de como eu fiquei com medo de tocar nela, lembro de vermos o pôr do sol sentados na areia e de como fiquei brava quando você pulou na água comigo no colo. Não éramos nós dois naquela foto, naqueles lugares, naqueles momentos, era um outro casal apaixonado, um outro casal completamente feliz. 

Um outro menino de sorriso bobo e outra menina de olhar tímido. E não é ruim saber que não somos mais o que éramos naquela época, nós crescemos, nós mudamos e o que tínhamos continua lá, finalizado em algum lugar do passado. Mas uma coisa em especial me chamou a atenção, eu senti amor. Um tipo de amor que não me lembrava de ter sentido antes. O meu semblante era calmo, transmitia paz e a forma com que você me olhava fez com que eu me sentisse aquecida. Me fez pensar que talvez o amor seja isso mesmo. Amar alguém mesmo sabendo que ir embora foi a melhor decisão, amar alguém mesmo sabendo que o tempo de vocês acabou e isso não te causa dor ou angustia, mas sim lindas lembranças e calor no coração. 

É bom rever nossa história, é como reler meu livro favorito. Eu achei uma foto nossa, mas que na verdade não é mais nossa. Eu não sou a menina tranquila e apaixonada e você não é o garoto introvertido e carinhoso, não somos mais o casal que todos olhavam na rua e admiravam, não somos o casal que paravam para perguntar se éramos irmãos, namorados ou só amigos, não somos o casal que todos amavam e apostavam suas fichas, não somos o casal dos suspiros e piscar de olhos. Eu senti saudade, saudade de um tempo que não volta mais, da pessoa que não sou mais, de lugares que não vou mais, de músicas que não ouço mais, de gostos que não sinto mais, de um sentimento que não sinto mais. 

Não somos mais um casal, mas sinto que de alguma forma o amor que você me deu, o amor que você me ensinou, o amor que sentimos um pelo outro continua vivo, continua a solta por aí. E é bom saber que um amor assim pode acontecer, que algo tão puro e verdadeiro existe e pode desabrochar em algum lugar, em qualquer lugar, porque foi assim que aconteceu conosco. Não fiquei triste, tristeza não combina com a nossa história, fiquei feliz por saber que essas memórias ainda estão guardadas, na gaveta e no meu coração. Não quero viver o que vivemos com mais ninguém, isso é nosso e sempre será. Você fez parte de um grande capítulo da minha vida, mas existe um livro inteiro para ser escrito ainda. 

Eu queria poder te abraçar e agradecer pelos anos juntos e pelas memórias guardadas. Você foi o primeiro amor da minha vida, mas a vida é grande demais e há amores demais para serem vividos por aí. Você me ensinou muito, mas ainda há tanto a aprender. Você me amou e isso ainda me toca vez ou outra. Achei uma foto nossa, sorri pelo que vivemos, guardei nossa foto no meu coração. Fique bem. Eu sempre vou te amar de alguma forma.

*Este post faz parte do 1 Quarto de Café em cartas. Para saber mais clique aqui.
 
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