Carta pra você que partiu cedo demais


Que tal ler ao som de "Pra Sempre - CPM 22"? 

As tuas coisas continuam do jeito que você deixou, mesmo eu não sabendo mais como são as suas coisas. Aposto que se a gente abrir a porta do teu quarto, teu cheiro ainda vai estar pelos ares e talvez, por alguns instantes, teu cheiro te traga de volta. 

Você partiu muito cedo. Foi rápido demais. Foi como colocar poeira na mão, assoprar e ver o pó voar com o vento. Em questão de segundos seguramos algo e do nada ele se vai. A gente nem se despediu. Eu não pude dizer que adorava teu shampoo, que nossos gostos musicais batiam ou que vi que você gostava dos mesmos livros que eu. Não te disse nem metade das coisas que cê deveria ter escutado, e hoje, bem lá no fundo, convivo com a culpa. 

Sei que se tu estivesse aqui, tu reviraria os olhos e rindo, diria que "tá tudo bem", que "a gente não sabe o dia de amanhã" e que "as coisas acontecem porque tem que acontecer". Mas cê poderia ter ficado um pouco mais aqui, né? Só pra dar tempo de chegar em casa e mandar algum sinal de "cheguei", só pra poder dizer que, realmente estava tudo bem, mas que cê estava cansada e que teu trabalho era muito chato. 

Eu te daria boa noite e desligaria o telefone, então você poderia partir. Eu te deixaria partir, juro que deixaria. Só mais dez minutos, sabe? Tipo aqueles mais dez minutinhos que a gente pede pra enrolar no acordar. Só queria mais dez minutinhos pra ouvir o som da sua voz e o gargalhar da tua risada. 

Eu não sei sentir saudade. As vezes penso que cê foi viajar e que vai voltar cheia de novidades e falando tão rápido que nem o "Flash" seria capaz de traduzir. Mas então a ficha cai, o desespero vem e a saudade machuca. 

Você não vai voltar. A viagem é só de ida. Não tem passagem de volta. É o telefone que tu não vai mais atender, o jantar em família em que vamos falar de você e lembrar que com toda certeza, você estaria rindo de tudo. É a foto que iremos tirar depois que você não vai estar. 

Você tinha muita coisa pra viver ainda. Em silêncio, eu peço pra Deus me fazer entender o porquê dessa ida tão repentina. Todo dia vejo milhões de coisas que penso "putz, cê iria gostar tanto de ver isso". E então, a saudade vem de novo. E ela vem sem pedir permissão. Só chega de mansinho e quando a gente vê, já tomou conta de tudo. 

E então eu choro, lembrando de todos os momentos que cê esteve aqui. O choro vira risada que depois vira choro de novo, pois eu lembro que iria te ligar só pra contar que consigo rir e chorar ao mesmo tempo. 

Sei que você está em um lugar muito melhor. E que, com toda a certeza do mundo, seu sorriso ilumina todos ai, como iluminava aqui. Cê faz falta todo tempo e essa questão que só o tempo cura é a maior mentira. Nunca vai passar. Talvez diminua, mas não cura. 

Só te peço que continue sorrindo e iluminando nossos dias e que se possível, apareça a noite pra que eu possa ver a estrela mais linda no céu. Brilhe, como brilhava aqui. 

Cuide da gente ai de cima, que um dia, a gente aprende a conviver com saudade aqui embaixo. 

Vou guardar você pra sempre.

*Este post faz parte do 1 Quarto de Café em cartas. Para saber mais clique aqui.

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1 comentários

  1. Me emocionei... eu tive um amor que partiu cedo demais, e tudo que eu queria era mais uns minutos com ele...

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