Segunda carta ao passado


Que tal ler ao som de "Best thing I never had - Beyoncé"?

Olá, amor do passado, 

Certa vez te escrevi uma carta. Foi boa, até. Me rendeu um post no blog da Isabela Freitas e, consequentemente, bochechas vermelhas ao ver tanta gente lendo o que escrevi. Mas foi bom. 

Hoje, alguns anos depois, é melhor ainda. 

Eu mudei, sabia? E ainda bem que mudei. Não sou mais aquela menina boba, romântica, insegura. Pelo contrário, sou bem durona. E amor próprio é o que não me falta. Acho que faltou tanto amor seu que eu tive que criar um pra compensar. 

Não quero mais fazer medicina, aliás me espanta pensar que já tenha cogitado isso. Não sei lidar com doenças e mortes. Acho que foi influência de Greys Anatomy, que a propósito continua sendo a minha série preferida. 

Aquela menina tímida e introvertida? Não existe mais. Fui ousada várias vezes. Cortei franja, entrei pra faculdade, não gostei, saí. Fiz vestibular, não passei. Vou fazer de novo. 

As pessoas elogiam, mas aquela carta hoje me faz rir. Uma criança de 17 anos que não sabia nada da vida. Hoje, com 20, sei o suficiente para não me envolver com gente do seu tipo. Um moleque inseguro, que pra se autoafirmar, engana o máximo de mulheres que ele puder. O que vier é lucro. 

Eu não tenho mais as mesmas amigas, não gosto mais de boates e fiquei boa em matemática. Chorei, enxuguei, chorei de novo. Esqueci e lembrei. Desisti de esquecer e esqueci. Lembrei de novo. Não doeu mais. Ufa. Eu venci meu medo, o medo que você gerou em mim. O medo de confiar, de amar. Acho que depois que a gente se decepciona, o coração desaprende a confiar de novo. Mas eu fiz ele reaprender. 

Aliás, eu não. Outra pessoa. Isso mesmo, eu tenho outra pessoa! Lembra que eu disse que ninguém se comparava a você? Que eu nunca iria amar alguém do mesmo jeito? Bom, eu estava certa. Realmente, ele não se compara a você. Você prometeu e não cumpriu. Você era um por fora e outro por dentro. É mesmo difícil encontrar alguém assim. Ainda bem. 

Quem eu encontrei, ah, essa pessoa é tudo que eu sempre quis que você fosse. Ele é a versão sua que eu criei na minha mente. Só que melhor. 

Tímido. Gosta de ir ao cinema. Gosta de andar de mãos dadas. Gosta das coisas que eu escrevo. Aprendeu até a gostar das músicas da Taylor Swift, por mim. Ele é bonito por dentro e, principalmente, por fora. Ele é maravilhoso. Gosta de mim. Isso mesmo, de mim. Aliás, ele não gosta. Ele ama. 

E eu realmente não o amo do jeito que te amava. Porque eu amo essa pessoa de verdade, sabe? Não é aquela loucura inventada por uma adolescente que era sonhadora, até demais. O meu amor por você não era real. Era uma fantasia baseada em todos aqueles filmes do Nicholas Sparks que eu amava ver. Não gosto mais disso. Agora eu tenho meu próprio filme. Ele é baseado em fatos reais. 

Eu amo nossas conversas, nossos abraços, nossos beijos. Eu amo o nariz dele, espero que o do nosso futuro filho seja igual. Eu amo a forma como ele é a pessoa mais linda do mundo, mas não sabe disso. Eu digo e ele não acredita... mas tudo bem. Não me importo em repetir. 

Então, meu não-amor-do-passado, até que você não foi tão ruim assim, né? É bem verdade quando dizem que, depois da chuva, vem o arco íris. O meu arco íris tem até nome. E hoje ele é meu namorado. 

Acho que é o que acontece quando a gente cresce, o que era ruim, vira bom. E a gente olha pra trás e ri de tudo o que, um dia, já fez a gente chorar. 

Então... Obrigada, meu falso amor do passado. Agora eu tenho meu amor do presente. E que presente, viu? 

Quer ler a primeira carta? Clique aqui.

*Este post faz parte do 1 Quarto de Café em cartas. Para saber mais clique aqui.

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