Memórias de uma história meio apagada


Um dia desses me peguei pensando no real motivo pelo qual a nossa história nunca passou da primeira página. Iniciamos, fizemos a introdução. Mas o desenvolvimento ficou pra lá. Como uma dessas redações chatas, que eu sempre odiei fazer, esquecemos as palavras certas e desistimos de continuar. 

Só sei que chegamos ao fim. 

Todo mundo sabe que seu forte sempre foi a conquista. Vejo o brilho nos olhos de todas essas meninas quando você passa. O cara ideal pra qualquer uma. Confesso, pra mim também. No começo. Talvez porque eu já tivesse te idealizado muito antes do primeiro "oi" e escrito todo um conto de fadas moderno na minha cabeça. O filtro dos sonhos pendurado na parede do meu quarto não se deu conta de que você era pesadelo e te deixou entrar. 

Ainda te vejo. Toda segunda, naquela esquina. Como é estranho olhar para alguém que me fazia tão bem e não falar nada. 

O que houve com todo aquele interesse? Com as tardes chuvosas e todas aquelas musicas no violão? O que aconteceu com todo aquele princípio de amor? Com nossos apelidos e nossas risadas? Eu sinto falta de quando você ainda olhava nos meus olhos e sorria. Sinto falta das suas mensagens nas redes sociais. Sinto falta de quando você se preocupava em não me magoar, quando tudo o que você mais queria era me manter segura. Ou, pelo menos, era o que parecia.
 
Me pergunto o que houve. Quando esse furacão passou por nós dois e nos dividiu no meio? Sim, porque ainda há um pedaço de você em mim. Já não consigo mais aguentar a saudade do que um dia nós fomos. Do que eu pensei que fosse durar. Algo lindo, mágico. 

E não há uma forma de ignorar tudo. Não há uma forma de acalmar essa saudade. Ela reside dentro de mim e não quer ir embora. Espero que um dia ela invada o seu coração também. 

É engraçado como tudo pode parecer perfeito na hora. Por um momento pensei ter encontrado o amor dos livros do John Green, você sabe, aquele que em alguma das nossas demoradas conversas, eu disse ser meu autor favorito. Foi difícil entender, foi difícil aceitar a forma como as coisas mudaram de uma hora pra outra. E não foi preciso nem ao menos um gesto, um erro. Ou será que houve? O que eu fiz de errado? Foi algo que eu disse? Rebobino tudo na minha mente em busca de uma resposta. 

Mas nem tudo é tão perceptível assim. Nem tudo é tão claro. E você não poderia ser diferente. Eu precisei escavar, procurar, decifrar. E eu achei, agora, algumas respostas. 

Esse é o seu jeito mesmo, eu já entendi. Virei uma espécie de especialista em você. Quando tudo vai bem você resolve fugir. Diz coisas lindas e depois tenta apagar. Faz a besteira e depois quer voltar. Tarde demais. A vida não vem com borracha pra apagar suas mancadas, meu caro. Entre um beijo e outro, o estrago já havia sido feito. 

Estranho saber que entre tudo o que você podia ter sido, você escolheu ser o nada. Podia ser aquele que, diferente dos outros, ficou. O que não saiu correndo na primeira brecha. 

Mas agora já não importa mais. São memórias escritas a lápis e manchadas de borracha, daquelas ruins que não apagam direito. Mas apagam, um pouco. 

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