Na ausência de realidade, sonho


Saudade. Palavra boba, desgastada, banalizada. Palavra que eu sinto, todos os dias, desde que você resolveu que não queria mais fazer parte da minha vida. Desde que você pegou teu sorriso lindo, teu abraço apertado e teus beijos doces, enfiou tudo numa mala e se foi. Sinto cada letrinha dela. Cada arranhão escrito no papel. Saudade. 

E pra me libertar desse sentimento louco, eu me forço a sonhar contigo, a continuar te vendo. São altas doses de você. Doses diárias, mas nunca enjoativas. Doses doces, amargas feito remédio. Remédio que diminui essa saudade dolorosa e exaustiva. Porque você, meu amor, é sonho bom de sonhar. Que nunca vai realizar, então eu deixo aqui bem guardadinho, onde ninguém pode estragar. Você é sonho proibido, que eu não posso sonhar. Então eu te guardo em segredo. 

Sua presença me deixa feliz e me decepciona quando acordo. Eu queria que fosse verdade. Eu queria você aqui. Então eu vou engolir minhas lágrimas pra ver se nascem flores. Eu vou relembrar meus sonhos pra ver se viram realidade. Pra ver se você vem de volta. 

Sei que teus braços envolveram outros corpos, sei que teu sorriso teve outros motivos, sei que tua boca já sentiu outros gostos. Eu sempre soube de tudo isso. Mas eu nunca soube, ou talvez tenha me recusado a saber, que teu coração pulsa por outra pessoa. Que teus pensamentos sonham por outro alguém. 

Saudade. Tentei te esquecer. Juro. Mas a lembrança na minha cabeça insiste em me lembrar o quão maravilhoso você foi. O amor que vem de longe, que une nossos corpos separados. O amor que mais dói. A saudade besta, o som das risadas na minha mente ecoam durante a noite. 

Me diz uma coisa: você volta? Diz que sim, por favor. 

Saudade do tempo em que seus olhos faziam morada em mim. Do tempo em que você dizia me amar. Do tempo em que nossos encontros eram a melhor parte do seu dia. E eu não sei quando tudo mudou. Eu não sei de quem foi a culpa. Eu perdi o exato momento no qual eu te perdi. E, por isso, eu não faço a menor ideia de como te recuperar. 

Saudade. Eu sinto saudade de te ver de pertinho. De observar cada defeitinho seu. De analisar seu sorriso e sorrir junto. Eu sinto tanto a sua falta. E dói. Então eu sonho. 

Eu sonho com você voltando pela porta da sala. Uma mala na mão, um sorriso no rosto e a outra na minha. Sonho com beijos novos, com abraços novos, com conversas novas. As que a gente teve eu já sei de cor. De trás pra frente. Então eu preciso de novas. Pra lembrar, pra salvar, pra escrever. Pra te dizer tudo aquilo que eu já disse nos meus sonhos. Porque há uma biblioteca inteira na minha cabeça, uma infinidade de palavras ainda não escritas e não ditas. Eu quero que você saiba. 

Eu não quero aprender, eu quero que você me ensine. Eu não quero fingir que nunca aconteceu. Eu não quero esquecer, seguir em frente. Eu quero permanecer aqui, ao seu lado. Deixa? Eu quero continuar escutando seus sonhos e gostos. 

Promete não ligar se eu te ligar? Deixa eu escutar quietinha o som da sua voz. Faz tanto tempo que não te vejo, já nem sei se você é real. Eu te juro, tentei não agir feito boba, mas quando dei por mim já havia ficado sorrindo sozinha ao ver sua foto numa rede social. 

Queria te dizer que você me faz muito bem, sua ausência é que me faz mal. Saber que o nosso futuro deixou de ser "nosso" pra virar "meu" e "seu". Triste saber que agora só te vejo quando olho pra trás, perdido nas lembranças. Meu plano era te ver ao meu lado, no presente. Olhar pra frente e te ver também, no futuro. Queria te ver em todas as direções da minha vida, em cada tempo e em cada parte. 

Bem, eu sonho com você. Mas nem em todos os sonhos eu poderia te criar como a realidade. Ninguém se compara a você, nem mesmo a sua versão nos meus sonhos. Então eu te peço, por favor, vem de volta pro meu mundo real. 

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