Equação


Eu quis escrever meus desejos pro ano que ia chegar, mas travei. Travei porque na hora de listar tudo de bom que eu queria que me acontecesse, só conseguia pensar no seu nome. Quando eu quis imaginar tudo que eu poderia querer que o ano novo me trouxesse, só consegui pensar nos seus olhos sorrindo pra mim, no seu sorriso me olhando, nas suas mãos me segurando tão perto que eu podia sentir o gosto do seu cheiro. Você é meu desejo de ano novo. 

Eu sabia que deveria querer muitas outras coisas. Eu sabia que não deveria deseja tanto você, não deveria desejar você nem um pouco. Eu poderia querer um emprego novo que me faça não odiar segundas-feiras, eu devo querer todos os meus amigos felizes e bem perto de mim, eu preciso querer um ano regado de reuniões de família com piadas sem graça e abraços demorados, eu quero um ano cheio de bolo de cenoura com cobertura de chocolate, meu milkshake favorito, festas com música boa pra dançar até clarear, crise de riso de fazer a barriga doer, filmes que arrancam soluços, livros que me façam perder a noção de tempo e espaço, conversas de mesa de bar com litrão barato. Mas quero muito tudo isso depois de querer muito você. 

Dizem que quando se está em dúvida, tire cara ou coroa. Porque antes do resultado aparecer, você perceberá por qual dos dois lados estava torcendo mais. Cinco minutos pra meia noite. Minha moeda já caiu e eu sei que quando a contagem regressiva começar e eu fechar meus olhos para acompanha-la, estarei pensando em você. 

Meus desejos nunca são feitos em forma de palavras. Quando eu desejo algo e fecho meus olhos, visualizo toda a cena. Eu tento não te enxergar. Mas você tá ali no porta retrato em cima da minha mais nova mesa de trabalho bem do lado do meu cacto verdinho, que é a única planta que eu tenho capacidade de manter viva e que me faz abrir um sorriso satisfeito em plena segunda-feira. Mas você se encaixa muito bem no meio da bagunça dos meus amigos e a sua risada vibra no mesmo tom que a deles dentro do meu coração. Mas você ri das piadas clichês do meu pai e abraça minha vó como se fosse sua. 

Você divide comigo os bolos de cenoura e me suja de cobertura de chocolate. Você aposta comigo quem toma o milkshake mais rápido e reclama de dor de cabeça instantânea que dá. Você dança comigo nas festas e ainda me leva embora a tempo de ver o sol nascer pela janela do quarto. Você é o responsável pelas crises de riso. Você me abraça e enxuga minhas lágrimas depois do filme. Você ri das minhas caretas enquanto leio meus livros. Você tá nas conversas gostosas de mesa de bar, enche meu copo e pede a quarta saideira. 

Entende? Não é que eu não tenha um mundaréu de desejos, é que você está presente em cada um deles. Você é a constante. 

O que achou do texto? Deixe seu comentário e leia mais textos da Gabi Piva aqui.

Você pode gostar também

0 comentários

Deixe sua opinião! Amamos entrar em contato com vocês.