Minha resposta é você

Dê play em Gotten this far, de Olivia Buckles

Oi.

Desculpa, antes de qualquer coisa, eu andar tão distante de ti. Talvez você saiba mais do que eu que esse mundo tira muitas coisas de nós. Inclusive o tempo.

Não sei se andou também muito ocupado, então vou te contar um pouquinho sobre mim, caso não saiba, tá bem? É que ultimamente tenho sentido muito sua falta.

A verdade é que meu coração anda cansado de tanta coisa. Ele, que sempre amou demais, anda batendo devagarinho, como um relógio velho que não marca mais as horas direito. Talvez tenha desaprendido a lutar.

Uma vez me disseram que poderia encontrar seu apoio em livros. É, eu li. Algumas partes não consegui entender bem, confesso. Já te admirei só pelas partes que eu consegui. Mas sinto que não é lá que moras.

Às vezes me pego pensando no porquê da vida ter exigido tanto de mim. Desde cedo, sabe? Muitas lutas, algumas lágrimas, renúncias. Eu aprendi a viver entendendo que nem todos saberiam me amar. Que alguns não sabem nem amar a si. E a gente só dá aquilo tem, não é?

Eu sei, não posso reclamar. Tenho poucos, mas tão especiais amigos ao meu lado. Pessoas que enfrentaram o mundo para me ter por perto. Talvez uma pessoa em especial, minha mãe. Que me deu milhões de motivos para sorrir, mesmo em dias de tempestade. Ouvi dizer que a sua também. Ouvi dizer que mães são anjos.

Quando criança achava que nunca sofreria por amor. Continuo acreditando nisso. Acreditando que amor não tem a função de ferir. É a gente que não sabe mesmo aceitar o outro. Porque quem amamos tem que ir para tão longe? Esse longe que – em meio a um milhão de motivos e algum orgulho – nos impede de dizer oi. Nos impede de pegar um táxi e ir aguardar a nossa alma chegar de avião em uma tarde chuvosa de inverno. A nossa alma que não é gêmea, mas que é tão similar.

Pareço boba para você? Talvez eu esteja vendo tudo através de lentes meio sujas. Talvez esteja enxergando apenas o teto, em meio a imensidão de estrelas que nem sei o nome. Talvez me falte fé.

Me diz, onde moras? Porque não consigo te encontrar nos locais em que chamam de seu lar? Porque repetições de frases sem sentimentos não explicam para mim quem és. Mas eu consigo sentir.

E depois de algumas lutas, e depois de tantas lutas eu venho aqui admitir que preciso do seu amor. Que preciso abrir meus braços e entregar todo meu ser a ti. Porque eu não aguento mais o peso de ser apenas eu. Me disseram que tu és luz. Me ajuda a ver o caminho, que anda tão confuso e escuro.

Hoje, na varanda, vi a lua. Minguante, não sei. Vi a lua e pensei que talvez seja hora de entregar meus sonhos a ti. Meus desejos a ti. Talvez seja a hora de confiar e aceitar que eu não sei tudo.Mas tu, tu sabes! Ouvi dizer que tu sabes o que fazer em momentos como esse. Me disseram que eu preciso acreditar.

Então, meio tímida e sem jeito por andar tão sumida, e sem saber direito ainda onde moras, venho abrir meus braços e dizer – com todo o meu ser –  que eu aceito Jesus que o senhor tome de minhas mãos algumas ferramentas que não estão me ajudando a seguir. Leva elas embora. Que minhas mãos fiquem livres e leves para receber apenas as que vão me ajudar a construir um amor genuíno dentro de mim. As que vão me ajudar a construir uma relação tão estreita com tua vontade que nenhum martelo Jesus, nenhum martelo irá tocar as paredes da minha alma sem a Tua permissão.

Talvez eu não tenha méritos para pedir, mas me contaram uma vez que seu amor é puro e sua compreensão, infinita. Compreendes então que eu não posso mais seguir sem saber quais são os seus planos para mim? Eu vou esperar tua resposta Jesus, porque eu sei que ela virá. Como uma pena que caiu de um pássaro em voo. Ela virá lentamente e na hora certa. Como pluma ela cairá sobre meus pés, e eu, sabendo disso, olharei com atenção para esse pequeno detalhe em meio a um mundo que nos tira o tempo. E saberei, com alegria, que és tu.

O que achou do texto? Deixe seu comentário e leia mais textos da Raquel aqui.

Você pode gostar também

0 comentários

Deixe sua opinião! Amamos entrar em contato com vocês.