Eu sou gigante demais para você

 
Eu esperei você me telefonar, andei grudada com o celular por todo o canto, recusei ligações com receio de você desistir ao ligar e perceber que eu já estava ocupada com algo. Torci todos os dias para ouvir o interfone tocar e ser o porteiro anunciando a sua chegada. Eu vi o sol nascer no mar sem seu ombro para apoiar a cabeça mais vezes do que desejei e te imaginei comigo em cada uma delas. Você nunca veio, não mudou de ideia e nem quis me ouvir batendo o pé pedindo para ficar. Não ligou, não combinou com o porteiro para entrar sem anunciar sua chegada só para me surpreender.

A tela do meu celular nunca mais viu seu nome e ainda assim tem tanto de você por aqui. Você foi embora e deixou sua marca em todos os cômodos. Por um bom tempo a minha vida ficou estagnada e tudo permaneceu do jeito que você deixou, eu torcia para você voltar e encontrar as coisas nos mesmos lugares. Mas chega uma hora que a gente cansa, sabe? Essa espera maltrata e a saudade bate toda noite, só que eu estava farta de apanhar por uma ausência de alguém que nunca teve a pretensão de ficar. Aí eu transbordei, meu bem.

Chorei rios de lágrimas com a péssima ideia de que a culpa era minha, mas no fundo eu sabia que tinha te dado todos os motivos para ficar e você não quis. Até que acordei um dia com um clique em uma madrugada qualquer, percebi que todo meu tempo estava sendo desperdiçado por alguém que jamais soube ver o melhor de mim. Eu comecei a entender então que toda essa minha espera antes inútil tinha servido de algo, porque ela me mostrou que uma falta de resposta é a melhor resposta que se pode esperar de alguém. 

Eu precisei ter meu coração quebrado para aprender a juntar os pedaços sozinha e entender que é melhor aceitar a minha própria companhia do que me diminuir para caber em qualquer canto e, meu amor, eu sou gigante demais para você.

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