Me deixei cativar



Lembra do dia em que você ainda me amava e se interessava pelos meus gostos? Aquele dia depois da aula de francês, quando cê foi me buscar. Então, eu te disse que o meu livro preferido era O Pequeno Príncipe. Você riu da minha cara e perguntou porquê.
"O que há de tão interessante nesse livro infantil?", você me perguntou com aquele sorriso lindo no rosto. Engraçado, na hora eu não me dei conta, mas hoje entendo direitinho. Sua falta de responsabilidade por mim. Poderia ter sido diferente, se você tivesse aprendido.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Aprendi isso, mas você, infelizmente, não.
Você apareceu, cativou, conquistou e depois foi embora. Recolhendo todos os rastros de carinho e amor que deixou cair pelo caminho.
Recolhendo amor e deixando ódio.
Recolhendo lembranças e deixando esquecimento.
Recolhendo sorrisos doces e deixando amargura.
A validade das tuas palavras acabou. O prazo foi curto. Não me dei conta. Me deixei cativar.
Te ver partir  foi como aquela sensação de ganhar e perder na loteria de uma hora pra outra. Eu tinha o bilhete premiado, sabe? Mas ele foi levado pelo vento.
Você teria aprendido, sobretudo, que as suas decisões não afetam somente a si mesmo. Teria pensado. Pensado antes de ser um idiota.
E é por isso que o Pequeno Príncipe deveria ser leitura obrigatória na escola.
Porque você chegou de mala cheia na minha vida. Cheia de amor, beijos, cosquinhas no pescoço. Cheia de piadas sem graça e abraços apertados. E aí você despejou tudo, como quem joga um lixo no meio da rua só pra se livrar do peso de carrega-lo. Você despejou e saiu andando, sem mais nem menos. Sem uma desculpa plausível. E deixou tudo aqui pra eu arrumar.
 Eu sei que não é culpa minha. Talvez não seja culpa de ninguém. Talvez seja culpa de todo mundo.
Ao abrir meu coração, deixei tudo entrar. Tudo. Sem filtro.
Veio amor, veio carinho. Mas também veio traição, ódio, raiva. Deslealdade. Desonestidade. Desconsideração.
Mas eu andei pensando depois de tudo. Depois de mil “porquês” pairarem sobre a minha cabeça. Concluí que pessoas erradas aparecem no momento certo. Pra ensinar, pra amadurecer. Coração mole não bate direito, mas amores errados endurecem. E é bom, mesmo que não pareça. Agora ele bate no ritmo certo.
Fiz planos e falhei. Sonhei com nós dois. Fui boba. Acreditei e confiei.
Mas eu me deixei cativar.
E a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar.

Essa eu não aprendi com livro. Aprendi com você.

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