Carta para a menina de cabelos de fogo


Um bom tempo atrás vi uma menina no ônibus com um cabelo tão radiante e um andar tão suave, mas enfim, era só mais uma bela moça que teria passado por mim até o momento em que o destino começou a mover os seus pauzinhos, me fazendo cruzar por ela diversas vezes em encontros inesperados, e assim pude aos poucos perceber que aquela menina não era só mais uma moça formosa, ela tinha algo a mais. 

Assim começou uma busca incessante para descobrir mais e mais sobre a menina misteriosa de cabelos alaranjados, e mais um vez o destino começou a fazer o seu papel me apresentando pessoas que um dia a conheceu, e quando sem mais nem menos descobri seu nome. Era um nome um tanto quanto peculiar, eu diria, daqueles que a gente não vê muito por aí. Comecei a pensar com os meus botões um estratégia de aproximação (eu precisava conhecer aquele menina), então tentei um daqueles papinhos furado pela internet, daqueles de sempre que não leva a lugar nem um, se encerrando com um convite para um suco no intervalo que resultou com um “é, pode ser” que nunca foi. Tentei alguns outros convites, que não deu em nada, então a minha busca se fechou ali, em um quase encontro. 

Um tanto quanto frustrante, não por ser um quase encontro, mas por me deixar algumas dúvidas na cabeça: será que ela é tudo aquilo que penso? Será que eu sou tudo aquilo que ela precisa? Eu realmente não sei responder essas perguntas, mas esse é o grande lance da paixão, mesmo sem conhecer direito nós já imaginamos, idealizamos e sonhamos até mesmo um futuro com a pessoa, criamos expectativas que muitas vezes não são de fato reais, acabamos não sabendo diferenciar o que é real e o que é ilusão, mas mesmo assim a gente se entrega de cabeça em um sentimento que é mágico e real ao mesmo tempo. Acho que é aí que mora o mistério do amor, nesse limbo entre o real e irreal e por isso ele é tão especial, é um pouco dos dois mundos em um só. 

Nós sabemos como é a superfície de um planeta a milhares de anos luz da terra, sabemos quais são os animais que moram nas profundezas dos oceanos, mas o que mora nas profundezas do nosso coração, nós nem sabemos explicar, mas quando acontece é de uma forma tão simples. Como uma coisa tão simples pode ser tão complexa? 

Dentre todas essas dúvidas eu só posso dizer eu adoraria conhecer o seu universo particular, e adoraria somente ter a chance de poder mostrar como é lindo coração de um jovem romancista e poder sanar as minhas dúvidas sobre todo mistério que uma menina tão pequenina pode guardar dentro de si e assim talvez poder um dia experimentar um pouquinho dessa complexidade tão maravilhosa. 

Então, em uma nova tentativa eu digo: menina de cabelos ruivos você aceita tomar um xícara de café e discutir um pouco da situação solar, na minha cafeteria favorita? 

Texto de João Pedro Zanardo

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