Você nunca foi meu


Eu demorei a crer que poderia me sentir bem com alguém outra vez, sabe? O tempo ia passando e eu comecei a colecionar decepções. Uma seguida da outra. Uma mais dolorosa que a outra. E, mesmo assim, nenhuma capaz de superar a dor que você deixou quando partiu meu coração em milhares de pedacinhos. Eu nunca consegui emenda-lo novamente, os caquinhos foram se quebrando ainda mais com as decepções que tive após você. E eu já não procuro mais um jeito de fazer a dor parar, acho que já devo ter me acostumado com ela. 

Afinal, que remédio se toma quem teve o coração quebrado? Coração é músculo, mas dorflex não resolve. Eu precisava mesmo era de uma dose de você, mas você nunca teve a pretensão de ficar. Chegou com as malas prontas e passagem de volta já marcada. Entrou no meu peito aberto, fez bagunça e não ficou para arrumar. Jurou amor e disse palavras da boca pra fora. Me fez acreditar que poderia ser apenas nós, que seríamos felizes e que sempre o teria por perto para me apoiar e dar conforto nos dias difíceis. Confiei nas suas conversas de meia noite, me abri, te dei abrigo, te dei colo nas suas noites de insônia, fui além e te dei amor. Mas nem todo amor dado é recebido de bom grado. 

Você foi apenas mais um e poderia ter sido o único. Tudo bem, não te obrigaria a ficar, de qualquer forma. A sua ausência só me fez entender que meu peito não poderia mais ser tão aberto assim. Essa dorzinha que lateja aqui no meu peito sempre me lembrará disso. Nem todas as pessoas estão dispostas a ficar. Nem todos chegam para fazer morada. 

Mas as partidas são necessárias. 

Quando alguém parte, leva um pedaço importante de nós e deixa outro no lugar. E você não só partiu quando saiu dizendo não mais voltar, como também partiu meu coração. Dilacerou e deixou cada mínimo pedaço no chão. Eu precisei ir catando-os, pedacinho por pedacinho, e emendando-os aos poucos. Porque demorou para eu me recuperar - e, sinceramente, acredito que ainda haja vestígios de você em mim. Porque quando olho para as paredes em branco do meu quarto - naqueles momentos de insônia que vem quando a saudade bate - vejo seu rosto com um sorriso e sinto como se os pedacinhos já emendados do meu coração fosse sair do peito novamente. 

Seu sorriso me machucava. Não porque não gostava, pelo contrário, porque amava demais. Só que me machucava por não ser meu. Nem o sorriso, nem o coração e, muito menos você. 

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Este texto foi escrito à dois, sabia? Pelas mãos de Mari Guimarães e Steph Almeida.

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